domingo, 7 de junho de 2015

A MULHER AO MUNDO DA ARTE

 Desde o Egito Antigo até a revolução industrial a mulher não tinha voz, seja na política, na economia ou na família. Com a arte não era diferente. A expressão estética estava quase que exclusivamente na mão dos homens. Os homens que trabalhavam, que construíam, que pintavam, que sabiam ler e escrever, os homens tinham poder. O papel das mulheres era cuidar de todos ao seu redor, incluindo os filhos e os seus servos, trabalhos domésticos.
    A arte religiosa do Egito, a arte humanista da Grécia e de Roma, a arte cristã da idade média e as revoluções do Renascimento tiveram como protagonistas apenas homens. No Egito, tudo era ligado aos seus Deuses (Rá, Toth, Anúbis, Hathor, Hórus, Maet, Khnum, Ptah, Seth, Sobek, Osíris, dentre outros...), obras, esculturas, pinturas, escrituras, tudo. Já na Grécia e Roma era bem diferente, sua arte era bem humanista e manifestou-se na filosofia e nas artes plásticas. As obras de arte, por exemplo, valorizavam muito o corpo humano masculino e seus sentimentos. Na idade média, a arte era voltada para a igreja, decorações muito ricas em cores e em preço. As obras e corais eram feita por homens, as mulheres não tinham esse privilégio na época. O Renascimento teve seu início na Itália, pois lá se encontrava uma série de condições favoráveis, como: a ação mecenas, a presença de vários intelectuais bizantinos que fugiram para a Itália após a queda de Constantinopla em 1453, inúmeros elementos preservados da Antiguidade e o acúmulo de riquezas de algumas cidades que foi utilizado nas artes. Com o Renascimento houve também um aumento na qualidade e quantidade das obras produzidas, contribuíram para essa expansão o desenvolvimento da imprensa por Johann Gutenberg e a ação dos mecenas. Mas, mesmo com o grande número de obras produzidas, o Renascimento apresentou características comuns como a diversificação dos temas das obras e o desenvolvimento de novas técnicas como a pintura a óleo e a perspectiva, que permitia a percepção de volume e profundidade. Destacaram-se muitos artistas nessa época, claro que, homens, é óbvio.
     As expressões artísticas – pintura, escultura, arquitetura, poesia, música e teatro – só possuíam nomes masculinos. Leonardo da Vinci, Michelangelo, Shakespeare, Luís de Camões, Miguel de Cervantes, dentre outros artistas desse tempo.
     Até mesmo o Renascimento, após o final da idade média, não possuía vozes artísticas femininas. Leonardo da Vinci, Michelangelo e Bernini, por exemplo, foram grandes mestres das revoluções do Renascimento. O papel da mulher neste período, em relação às artes, poderia ser de protetora ou de mecenas, apenas. As mecenas eram mulheres de grande porte que financiavam e investiam na produção da arte como maneira de obter reconhecimento e prestígio na sociedade. Porém, seu papel era apenas esse. As mulheres ainda não tinham o direito de pintar, desenhar, dentre outras atividades, mas, poderiam investir na arte, se fosse de seu interesse.
     Com o advento do capitalismo, no final do século XVIII, o mundo passa por grandes revoluções. As fábricas obrigavam as pessoas a saírem do campo e irem para a cidade, a família inteira trabalhava. Assim, as mulheres começam, aos poucos, conquistar espaço na vida econômica. Trabalhando em fábricas como costureiras, artesãs, etc... Porém, o salário não era tão remunerado, pois trabalhavam muito e ganhavam muito pouco. O trabalho de crianças também era desse mesmo modo, porém, o dos homens era mais braçal.
     No início do século XX, Sigmund Freud revoluciona o entendimento sobre a sexualidade a partir dos seus estudos com suas pacientes histéricas que culmina com o surgimento da Psicanálise. Nas suas teorias, Freud permitia que a moral cristã Vetoriana fosse revista. Assim, a sexualidade feminina impulsionou as revoluções da libertação feminina em todos os campos. Mulheres poderiam, enfim, trabalhar dignamente. Na arte, a mulher atingiu vários campos, pintoras, escritoras, músicas, todos os campos.
     A Europa, no início do século XX, criou movimentos artísticos em que as mulheres tomaram parte. Virgínia Wolf, por exemplo, se torna uma grande escritora ao lado de nomes como André Gides e James Joyce. Virginia Woolf foi uma escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo. Ela era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entre guerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances: Mrs. Dalloway, publicado em 1925; Ao Farol, 1927 e Orlando, 1928, bem como o livro-ensaio Um Teto Todo Seu, 1929, onde se encontra a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção".
     No Brasil, também no início do século XX, a pintura modernista é representada na semana de arte moderna de 22 por grandes artistas femininas. Tarsila do Amaral e Anita Malfatti representam as mulheres na semana. As características de suas obras eram o uso de cores vivas, a influência do cubismo (uso de formas geométricas), a abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil, a estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase antropofágica). Dentre as principais obras, contêm-se: Chapéu Azul, Autorretrato, A Negra, dentre outras interessantíssimas.
     O século XX então, é o século em que as mulheres finalmente adentram o mundo da arte. Nomes como Eva Hesse, Yoko Ono, Marina Abramovic, Tereza do Rêgo, Hilda Hilst, Frida Khalo, Marguerite Youcenar, por exemplo, se inserem no cenário de grandes artistas mundiais. Pintoras, atrizes, músicas, dentre outras coisas.  Yoko Ono é uma grande compositora, cantora e artista plástica vanguardista japonesa, viúva de John Lennon e mãe de Kyoko Chan Cox e Sean Lennon. Atualmente vive em Nova Iorque. Marina Abramovic é uma artista performativa que iniciou sua carreira no início dos anos 70 e manteve-se em atividade desde então. Considera-se a “avó da arte da performance". Tereza do Rêgo é uma grande pintora brasileira. Suas obras retratam o imaginário popular pernambucano, com um estilo em que o escritor Ariano Suassuna identificou marcas do Barroco e em que a própria artista confessa uma influência do espanhol Francisco Goya.O corpo da mulher é um dos seus temas constantes, assim como procissões, igrejas, santos, a paisagem de Olinda e Recife e os animais. Entre suas obras destacam-se as séries: Sete luas de sangue (1988-89) e Bordel (1992-09), além do painel em acrílico O apocalipse de Tereza (2008-09). Hilda Hilst foi uma poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Frida Khalo foi uma grande pintora mexicana, suas obras transpareciam si mesma, seus sentimentos, pensamentos. Marguerite Youcenar foi uma escritora belga de língua francesa, dentre as suas obras, temos: Jardim das Quimeras e Contos Orientais. Dentre muitas outras mulheres que viraram admiração para todo o mundo.
     O século XXI, com sua arte Pop e a indústria cultural, permite que as mulheres tomem parte em todas as expressões artísticas, seja na dança, na pintura, no teatro, no cinema, na música ou nas letras, as mulheres conquistaram voz própria. O século XXI parece realizar os ideais da filósofa Simone de Beauvoir do seu famoso livro O Segundo Sexo. É uma das obras mais celebradas e importantes para o movimento feminista. O pensamento de Beauvoir analisa a situação da mulher na sociedade.Faz uma reflexão sobre mitos e fatos que condicionam a situação da mulher na sociedade e analisa também a condição feminina nas esferas sexual, psicológica, social e política. O livro permitiu a total liberdade das mulheres no meio da arte e em qualquer outro.


      Assim, Madonna, Beyoncé, Angelina Jollie, Emma Watson, Negra Li, Dina Di, por exemplo, conquistaram o seu espaço e o espaço da mulher.